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O primeiro santo português a ser canonizado (natural de Valença) foi hoje recordado de modo muito particular na Sé Catedral de Viana do Castelo, numa Missa presidida pelo Sr. Bispo D. Anacleto de Oliveira. No fim da celebração foi dado a beijar o relicário deste nosso santo.

Recordamos que S. Teotónio é o segundo padroeiro da diocese de Viana e que hoje se comemoram os 850 anos da sua entrada no Reino da Vida, no Coração de Deus.

Nota Pastoral sobre os 850 anos da Morte de S. Teotónio (aqui).

Liturgia das horas
Da Vida de São Teotónio, escrita por um autor contemporâneo, seu discípulo (Port. Mon. Hist., Scriptores I, 80.83) (Sec. XII)

Bom mediador entre Deus e os homens

Desde que foi ordenado sacerdote, Teotónio deu mostras evidentes de grande progresso no caminho da perfeição e santidade. A sua vida era para todo o povo de Deus um admirável exemplo de virtude.

Desempenhava com exímia perfeição as obrigações da sua ordem [sacerdotal]: instruía na fé as gentes rudes e incorporava-as na Igreja pelo baptismo; chamava os pecadores à penitência e, curando-os com a medicina das suas orações e palavras de encorajamento, absolvia-os e reconciliava-os com a Igreja; como bom mediador entre Deus e os homens, a todos ensinava os preceitos divinos e pregava a verdade, apresentava ao Senhor as preces dos fiéis e intercedia diante de Deus pelos pecados do povo, oferecia no altar o sacrifício de expiação, recitava as orações e abençoava os dons de Deus.

Na igreja comportava-se sempre com santa reverência e temor de Deus, e cumpria as funções sagradas com toda a perfeição.

Desprezava a sumptuosidade e as enganadoras seduções do mundo; não se envaidecia com os louvores, nem se exaltava com a riqueza, nem se amargurava com a pobreza.

Há quem o louve pela sua renúncia total às curiosidades, divertimentos, ostentações e coisas semelhantes; eu, porém, considero não menos digna de louvor a sua perfeição na virtude da castidade, comprovada pela circunspecção e prudência em todas as suas acções.

Com a ajuda do Senhor, passarei agora a contar como Teotónio veio a tomar o hábito de Cristo e como viveu na Religião sob a regra de Santo Agostinho. Desde a sua entrada na Religião, ele sobressaía notavelmente entre os demais pela santidade de costumes, extraordinária abstinência e assídua oração. Continuamente dirigia a Deus as suas preces; e, quando deixava de rezar, lançava mão da leitura sagrada, aplicando-se principalmente à Salmodia. Com efeito, além das Horas Canónicas e todo o Ofício Divino, em que se empenhava fielmente com santa reverência e temor de Deus, rezava cada dia todo o Saltério.

O tempo que lhe restava era para se ocupar em exercícios de boas obras ou em diversos serviços do mosteiro.

Longe de transigir com qualquer atractivo de vícios ou vaidades mundanas, era sua constante predilecção o recolhimento, a mansidão, o silêncio e a paz. Finalmente – coisa rara no nosso tempo – foi tão profunda a sua humildade, que parecia querer passar pelo mais esquecido de todos e o último dos servos de Deus.

 

Mais fotografias aqui.

 

Fonte: Acción Litúrgica

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO
E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

Ano da Eucaristia - Sugestões e Propostas (2004)

4. Na Carta Apostólica Spiritus et Sponsa para o XL aniversário da Constituição sobre a Sacra Liturgia, o Papa pediu que se criasse na Igreja uma “espiritualidade litúrgica”. É a perspectiva de uma liturgia que nutre e orienta a existência, plasmando a vida do crente como um autêntico “culto espiritual” (cf. Rom 12, 1). Sem se cultivar uma “espiritualidade litúrgica”, a prática da liturgia facilmente se reduz a um “ritualismo” e torna vã a graça que brota da celebração.

Isto vale de modo especial para a Eucaristia: “A Igreja vive da Eucaristia”. Na verdade, a celebração eucarística é em função da vida em Cristo, na Igreja, pelo poder do Espírito Santo. Há que, portanto, cuidar do movimento que vai da Eucaristia celebrada à Eucaristiavivida: do mistério em que se crê à vida renovada. Por isso, o presente subsídio oferece também um capítulo de linhas de espiritualidade eucarística. Neste inicial quadro de referência, será útil indicar alguns pontos muito significativos:

  • a Eucaristia é culmen et fons da vida espiritual em quanto tal, para além das múltiplas vias da espiritualidade;
  • o regular alimento eucarístico sustenta a correspondência à graça de cada uma das vocações e estados de vida (ministros ordenados, esposos e pais; pessoas consagradas…) e ilumina as diversas situações da existência (alegrias e tristezas, problemas e projectos, doenças e provas…);
  • a caridade, a concórdia, o amor fraterno são frutos da Eucaristia e tornam visível a união com Cristo realizada no sacramento; ao mesmo tempo, a prática da caridade em estado de graça é condição para que se possa celebrar em plenitude a Eucaristia: ela é “fonte”, mas também “epifania” da comunhão (cf. Mane nobiscum Domine, cap. III);
  • a presença de Cristo em nós e entre nós suscita o testemunho do viver quotidiano, fermenta a construção da cidade terrena: a Eucaristia é princípio e projecto de missão (cf. Mane nobiscum Domine, cap. IV).

In Christus Vinchit:

DEPARTAMENTO DAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS

  A vestição dos paramentos
litúrgicos e as respectivas orações

1. Breve revisão histórica

As roupas utilizadas pelos ministros sagrados nas celebrações
litúrgicas são derivadas das vestimentas gregas e romanas. Nos primeiros
séculos, a forma de vestir das pessoas de uma determinada classe social
(os honestiores) foi também adotada para o culto cristão, e esta prática
foi mantida na Igreja, mesmo após a paz de Constantino. Como contado por alguns
escritores eclesiásticos, os ministros sagrados usavam suas melhores roupas,
provavelmente reservadas para a ocasião [1].

Enquanto que na antiguidade cristã as vestimentas litúrgicas
diferiam das de uso cotidiano não pela forma particular, mas apenas pela
qualidade dos tecidos e decoração particular, no curso das invasões bárbaras, os
costumes, e com eles também a forma de vestir dos novos povos, foram
introduzidos no Ocidente, levando a mudanças na moda profana. A Igreja, ao
contrário, manteve essencialmente inalteradas as roupas usadas pelos sacerdotes
nos cultos públicos; foi assim que as vestimentas de uso cotidiano acabaram por
se diferenciar das de uso litúrgico. Na época carolíngia, finalmente, os
paramentos próprios de cada grau do sacramento da ordem foram definitivamente
definidos, assumindo a aparência que conhecemos hoje.

2. Função e significado espiritual

Além das circunstâncias históricas, os paramentos sacros têm uma
função importante nas celebrações litúrgicas: primeiramente, o fato deles não
serem usados no cotidiano, tendo assim um caráter cultual, ajuda-nos a romper
com o cotidiano e suas preocupações, no momento da celebração do culto divino.
Além disso, as formas largas das vestimentas, como por exemplo da casula, põem
em segundo plano a individualidade de quem as veste, enfatizando seu papel
litúrgico. Pode-se dizer que a “ocultação” do corpo do ministro sob as vestes,
em certo sentido, despersonaliza-o, removendo o ministro celebrante do centro,
para revelar o verdadeiro Protagonista da ação litúrgica: Cristo. A forma das
vestes, portanto, lembra-nos que a liturgia é celebrada in persona
Christi
, e não em próprio nome.

Aquele que exerce uma função de culto não atua como indivíduo por
si mesmo, mas como ministro da Igreja e como instrumento nas mãos de Jesus
Cristo. O caráter sagrado dos paramentos provém também do fato de que são
vestidos conforme prescreve o Ritual Romano.

Na forma extraordinária do Rito Romano (de São Pio V), a vestidura
dos paramentos litúrgicos é acompanhada por orações relativas a cada veste,
orações cujo texto ainda pode ser encontrado em muitas sacristias. Ainda que
estas orações não sejam mais prescritas (mas nem tampouco proibidas) da forma
ordinária do Missal emitido por Paulo VI, seu uso é aconselhável, uma vez que
ajudam nas preparações e no recolhimento do sacerdote antes da celebração do
Sacrifício Eucarístico.

Para confirmar a utilidade destas orações, note-se que elas foram
incluídas no Compendium Eucharisticum, recentemente publicado pela
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos [2]. Além disso,
pode ser útil lembrar que Pio XII, por decreto de 14 de janeiro de 1940,
concedeu uma indulgência de cem dias para cada oração.

3. As vestimentas litúrgicas individuais e as orações que
acompanham sua vestidura

1) No início da preparação, o sacerdote lava as mãos, recitando
uma oração especial; além da questão de higiene, este ato tem também um
significado simbólico profundo, representando a passagem do profano ao sagrado,
do mundo do pecado para o puro Santuário do Altíssimo. Lavar as mãos equivale,
de certa forma, a retirar as sandálias diante da sarça ardente (Êxodo 3:5). A
oração se refere a esta dimensão espiritual:

Da, Domine, virtutem manibus meis ad abstergendam omnem
maculam; ut sine pollutione mentis et corporis valeam tibi servire.

(Dai às minhas mãos, Senhor, o poder de apagar toda mácula: para
que eu vos possa servir sem mácula do corpo e da alma) – (Da’, o Signore, alle
mie mani la virtù che ne cancelli ogni macchia: perché io ti possa servire senza
macchia dell’anima e del corpo) [3].

À lavagem das mãos se segue a vestidura propriamente dita.

2) Inicia-se com o amito, um pano retangular de linho dotado de
duas fitas, que repousa sobre os ombros junto ao pescoço. O amito destina-se a
cobrir, ao redor do pescoço, a vestimenta utilizada diariamente, ainda que se
trate do hábito do sacerdote. Nesse sentido, é preciso lembrar que o amito
também é usado quando se está vestido com roupas de estilo moderno, que muitas
vezes não apresentam uma grande abertura em torno do pescoço. De qualquer forma,
portanto, as roupas comuns permanecem visíveis e por isso é preciso cobri-las
também, nestes casos, com o amito [4].

No Rito Romano, o amito é vestido antes da alva (túnica). Ao
vesti-lo, o sacerdote recita a seguinte oração:

Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad expugnandos
diabolicos incursus
.

(Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que
possa repelir os golpes de Satanás) – (Imponi, Signore, sul mio capo l’elmo
della salvezza, per sconfiggere gli assalti diabolici).

Com referência à carta de São Paulo aos Efésios 6.17, o amito é
interpretado como “o elmo da salvação”, que deve proteger o portador das
tentações do demônio, em especial de pensamentos e desejos malévolos durante a
celebração litúrgica. Este simbolismo é ainda mais evidente no costume seguido
desde a Idade Média pelos monges beneditinos, franciscanos e dominicanos, entre
os quais o amito era posicionado sobre a cabeça e deixado recair sobre a casula
ou a dalmática.

3) A alva consiste na veste longa e branca utilizada por todos os
ministros sagrados, e que representa a nova veste imaculada que todo cristão
recebe mediante o batismo. A alva é portanto um símbolo da graça santificante
recebida no primeiro sacramento, e é considerada também um símbolo da pureza de
coração necessária para o ingresso na graça eterna da contemplação de Deus no
céu (cf. Mateus 5:8). Isso é expresso na oração recitada pelo sacerdote enquanto
veste a peça, oração que se refere ao Apocalipse 7,14:

Dealba me, Domine, et munda cor meum; ut, in sanguine Agni
dealbatus, gaudiis perfruar sempiternis.

(Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu
coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias
eternas) – (Purificami, Signore, e monda il mio cuore, perché purificato nel
Sangue dell’Agnello, io goda degli eterni gaudi).

4) Sobre as vestes, na altura da cintura, é colocado o cíngulo, um
cordão de lã ou outro material apropriado, que é usado como cinto.

Todos os oficiantes que portam a alva devem também portar o
cíngulo (esta prática tradicional é hoje frequentemente ignorada) [5].

Para diáconos, sacerdotes e bispos, o cíngulo pode ser de cores
diferentes, de acordo com o tempo litúrgico ou a memória do dia. No simbolismo
das vestes litúrgicas, o cíngulo representa a virtude do auto-controle, que São
Paulo enumera entre os frutos do Espírito (cf. Gálatas 5:22). A oração
correspondente, como na Primeira Carta de Pedro 1,13, diz:

Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis
meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et
castitatis
.

(Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus
rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da
castidade) – (Cingimi, Signore, con il cingolo della purezza e prosciuga nel mio
corpo la linfa della dissolutezza, affinché rimanga in me la virtù della
continenza e della castità).

5) O manípulo é um paramento litúrgico usado nas celebrações da
Santa Missa segundo a forma extraordinária do Rito Romano; caiu em desuso nos
anos da reforma litúrgica, embora não tenha sido abolido. É semelhante à estola,
mas de menor comprimento, inferior a um metro, e é fixado por meio de presilhas
ou fitas como as da casula. Durante a Santa Missa em sua forma extraordinária, o
celebrante, o diácono e subdiácono o portam sobre o antebraço esquerdo. É
possível que este paramento derive de um lenço (mappula) utilizado pelos
romanos amarrado ao braço esquerdo. Uma vez que era utilizado para enxugar as
lágrimas e o suor da face, escritores eclesiásticos medievais atribuíram ao
manípulo um simbolismo associado às fadigas do sacerdócio. Esta leitura também
está presente na oração de sua vestidura:

Merear, Domine, portare manipulum fletus et doloris; ut cum
exsultatione recipiam mercedem laboris.

(Fazei, Senhor, que mereça trazer o manípulo do pranto e da dor,
para que receba com alegria a recompensa do meu trabalho) – (O Signore, che io
meriti di portare il manipolo del pianto e del dolore, affinché riceva con gioia
il compenso del mio lavoro).

Como se vê, no início da oração mencionam-se as lágrimas e a dor
que acompanham o ministério sacerdotal, mas a segunda parte do texto refere-se
aos frutos do próprio trabalho. Não será fora de propósito recordar a passagem
de um salmo que pode ter inspirado esta segunda simbologia referente ao
manípulo, visto que a Vulgata assim apresentava o Salmo 125,5-6: ” Qui
seminant in lacrimis inexultatione metent; euntes ibant et flebant
portantes semina sua, venientes autem venient
inexultatione portantes manipulos suos” (grifo nosso).

6) A estola é o elemento distintivo de um ministro ordenado e é
sempre usada na celebração dos sacramentos e sacramentais. É uma faixa de
tecido, em geral bordado, cuja cor varia de acordo com o tempo litúrgico ou
o dia santo. Ao vesti-la, o sacerdote recita a seguinte oração:

Redde mihi, Domine, stolam immortalitatis, quam perdidi in
praevaricatione primi parentis; et, quamvis indignus accedo ad tuum sacrum
mysterium, merear tamen gaudium sempiternum
.

(Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na
prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos
Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas)
- (Restituiscimi, o Signore, la stola dell’immortalità, che persi a causa del
peccato del primo padre; e per quanto accedo indegno al tuo sacro mistero, che
io raggiunga ugualmente la gioia senza fine).

Dado que a estola é um paramento de suma importância, indicando
mais do que qualquer outro a condição de ministro ordenado, não se pode deixar
de lamentar o abuso, já largamente difundido, por parte de alguns sacerdotes,
que não a usam em conjunto com a casula [6].

7) Finalmente, veste-se a casula ou planeta, a vestimenta
característica daqueles que celebram a Santa Missa. Os livros litúrgicos usavam
as duas palavras, em latim casula e planeta, como
sinônimos. Enquanto o nome planeta foi usado em particular em Roma e acabou por
permanecer na Itália, o nome casula deriva da forma típica da vestimenta, que
originalmente circundava todo o corpo do ministro sagrado que a portava. O uso
da palavra “casula” também é encontrado em outros idiomas: “Casulla”, em
espanhol, “Chasuble” em francês e em Inglês, “Kasel” em alemão. Oração para
vestidura da casula remete ao convite de Colossenses 3:14: “Sobretudo,
revesti-vos do amor, que une a todos na perfeição”. E, de fato, a oração com a
qual se veste a casula cita as palavras do Senhor contidas em Mateus 11,30:

Domine, qui dixisti: Iugum meum suave est, et onus meum leve:
fac, ut istud portare sic valeam, quod consequar tuam gratiam. Amen
.

(Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve,
fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amém) – (O Signore, che
hai detto: Il mio gioco è soave e il mio carico è leggero: fa’ che io possa
portare questo [indumento sacerdotale] in modo da conseguire la tua grazia.
Amen).

Em conclusão, espera-se que a redescoberta do simbolismo associado
aos paramentos e suas orações incentive os sacerdotes a retomar a prática da
oração durante a vestição, de modo a se preparar com o devido recolhimento à
celebração litúrgica. Se é verdade que é possível rezar com diferentes orações,
ou ainda simplesmente elevando a mente a Deus, por outro lado, os textos da
oração de vestição trazem a brevidade, a precisão de linguagem, a inspiração da
espiritualidade bíblica e o fato de que são rezados pelos séculos por um número
incontável de ministros sagrados. Estas orações são recomendadas ainda hoje,
para a preparação da celebração litúrgica, e também realizadas de acordo com a
forma ordinária do Rito Romano.


Notas [originais em italiano]

[1] Cf. ad esempio san Girolamo, Adversus
Pelagianos
, I, 30.

[2] Edito dalla LEV, Città del Vaticano 2009, pp. 385-386.

[3] Riprendiamo il testo delle preghiere dall’edizione
del Missale Romanum emanato nel 1962 dal beato Giovanni XXIII, Roman
Catholics Books, Harrison (NY) 1996, p. lx. La traduzione in italiano delle
preghiere è nostra.

[4] La Institutio Generalis Missalis Romani (2008) al n.
336 permette di non assumere l’amitto quando il camice è confezionato in maniera
tale da coprire completamente il collo, nascondendo la vista dell’abito comune.
Di fatto, però, avviene di rado che l’abito non sia visibile, anche solo
parzialmente; di qui la raccomandazione ad utilizzare comunque l’amitto.

[5] Lo stesso n. 336 della Institutio del 2008 prevede la
possibilità di omettere il cingolo, se il camice è confezionato in maniera tale
da aderire al corpo senza di esso. Nonostante questa concessione, bisogna
riconoscere: a) il valore tradizionale e simbolico dell’uso del cingolo; b) il
fatto che difficilmente il camice – sia in foggia più tradizionale, che
soprattutto nei tagli più moderni – aderisce da sé al corpo. Se la norma prevede
la possibilità, essa dovrebbe però restare piuttosto ipotetica in via di fatto:
in concreto, il cingolo risulta sempre necessario. A volte si trovano oggi dei
camici che hanno il cingolo incorporato: una fettuccia di stoffa unita al camice
per mezzo di una cucitura all’altezza della vita e che si annoda al momento
della vestizione: in questi casi la preghiera sul cingolo può essere recitata
mentre si annoda. Resta però di gran lunga preferibile la forma
tradizionale.

[6] «Il Sacerdote che porta la casula secondo le rubriche non
tralasci di indossare la stola. Tutti gli Ordinari provvedano che ogni uso
contrario sia eliminato»: Congregazione
per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti
, Redemptionis
Sacramentum
, 25 marzo 2004, n. 123.

Em França (2) (por D. Athanasius Schneider) e na Alemanha (por D. Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru – Opus Dei).

Escolástica, irmã de São Bento, grande fundador  das Ordens  monásticas  no Ocidente, nasceu em Spoleto, na Itália, e teve, como o irmão,  uma educação primorosíssima de pais piedosos e  tementes a Deus. Modelo de donzela cristã, Escolástica era piedosa, virtuosa, cultivadora da oração, temente a Deus e inimiga do espírito do mundo e das vaidades.

                                             Igual ao irmão, nutria o desejo de dedicar a vida  exclusivamente ao serviço de Deus. Bento tinha fundado o mosteiro no Monte Cassino, e em sua companhia já  viviam muitos religiosos, que observavam a  regra  por ele elaborada. Ao irmão se dirigiu Escolástica, com o pedido de  indicar-lhe o caminho a  tomar, para realizar seu plano. São  Bento mandou  construir  uma  pequena cela  perto do mosteiro e  deu-lhe uma norma de vida, nos traços  principais  igual a dos monges.  À eremita associaram-se, pouco a pouco, muitas pessoas de seu sexo e  a  construção de um grande convento impôs-se  como necessária. É esta  a  história  da  fundação da  Ordem das  Beneditinas, que teve  uma aceitação simpática em todo o mundo, chegando a contar  14.000 mosteiros. Escolástica foi a primeira Superiora  Geral. Nesta qualidade não só trabalhou para sua santificação, mas zelou também pela fiel observação da regra em todos os mosteiros.

                                         Nos conventos das monjas beneditinas era observada  rigorosamente  a  clausura, sendo proibida  a  entrada de homens.  Só uma  vez por ano Escolástica recebia  a visita do irmão. O lugar onde  realizava  esse  encontro , era  uma casa,  nas  proximidades  do Monte  Cassino.

                                            Em uma  dessas  visitas, quando tinham já tomado a refeição da tarde, e São Bento se aprontava para voltar ao mosteiro, Escolástica lhe disse:  “Peço-te, meu irmão, que te detenhas esta noite  aqui, para que possamos conversar sobre as coisas  celestes.  São Bento, não querendo passar  a  noite fora  do  mosteiro, não a quis  atender. Escolástica pôs as mãos sobre a mesa, inclinou a cabeça sobre elas e  nesta posição pediu a Deus que lhe proporcionasse o consolo de  conversar  sobre coisas  religiosas  com o irmão até o dia seguinte.

                                            Eis que  inesperadamente se  anuviou o céu, desabou forte tempestade e  a chuva caiu com tanta quantidade, que São Bento e  os companheiros  se  viram obrigados  a  ficar.   Embora  o Santo reconhecesse  a  intervenção de Deus no efeito da  oração da irmã, disse-lhe em tom de repreensão: “Deus te perdoe, minha  irmã, o que fizeste”.  Escolástica, porém, respondeu:  “Eu te pedi e  não quiseste  atender-me;  dirigi-me  a  Deus e fui ouvida”.  Tendo ambos  passado a noite  em piedosos  colóquios, no dia seguinte  separaram-se para  sempre.  Três dias  depois Escolástica trocou esta  pátria provisória pela  eterna, entregando a alma a Deus.  São Bento, viu a alma da irmã, qual uma pomba, subir ao céu.

                                          O corpo de  Escolástica  foi transportado  para o mosteiro de São Bento e sepultado no túmulo que o santo abade tinha mandado preparar para si. Escolástica morreu em 543, na idade de  60 anos. No século  sétimo, suas relíquias, com as de seu santo irmão,  foram  levados  para Mans, na França. Uma donzela  que tinha morrido naquela  ocasião  voltou à vida,  quando se lhe impuseram  as  relíquias da  santa.

                                    Terminemos  os traços  biográficos  de Santa Escolástica com referência  a uma prática  por ela usada, quando se achava em grandes  tribulações: era fixar o olhar no Crucifixo. Este olhar trazia-lhe consolo e coragem para vencer todas as dificuldades.  “Um único olhar sobre a imagem do Crucificado – confessou a mesma -  tira-me toda a aflição e  suaviza-me o sofrimento”.

Reflexões: 

Santa Escolástica  amava a solidão e fugia da companhia de pessoas  seculares. Causava-lhe  prazer entreter conversa  de fundo religioso.   Se amasses também a solidão, se tivesses  mais  amor ao silêncio, não perderias tempo com visitas inúteis, que além de não trazerem proveito, muitas vezes  são causa de pecados contra a  caridade.  “Muita conversa raras vezes é feita sem que se peque” (Prov.  10, 19). Procura a Deus no silêncio da oração e terás mais paz em tua  alma.

Fonte: Página Oriente

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